Na manhã do dia 08 de janeiro de 2026, o auditório da OTICS Rio Rocinha sediou o Grupo de Trabalho (GT) com o tema Violência Marcada por Racismo, reunindo Agentes Comunitários de Saúde (ACS) para um debate fundamental sobre o enfrentamento do racismo enquanto determinante social da saúde e produtor de iniquidades no cuidado.
O Grupo de Trabalho (GT) foi organizado e ministrado por integrantes do GT Sacopã de Saúde da População Negra, coletivo que atua na promoção da equidade racial no Sistema Único de Saúde (SUS) e no fortalecimento de práticas antirracistas nos serviços de saúde. O encontro teve como foco a qualificação do olhar dos profissionais para a identificação das violências raciais, o acolhimento das vítimas e o correto registro desses agravos nos sistemas oficiais de informação em saúde.
Durante a atividade, foi abordada a notificação de violência no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), instrumento do Ministério da Saúde (MS) utilizado para registrar casos de violência interpessoal e autoprovocada atendidos nos serviços de saúde. Foi ressaltado que a notificação é obrigatória e essencial para dar visibilidade às violências, orientar o planejamento de políticas públicas, fortalecer ações de prevenção e proteção às vítimas, além de subsidiar a vigilância epidemiológica e o enfrentamento das desigualdades raciais no âmbito da saúde pública.
O encontro contou com a participação de Gleyce Kelly Marques, assessora técnica de Vigilância Epidemiológica da Divisão de Vigilância em Saúde (DVS) da CAP 2.1 e dos enfermeiros especialista em saúde Rodrigo Nogueira e Aldir Junior Investigador de Dados Vitais da Divisão de Vigilância em Saúde (DVS) da CAP 2.1 que contribuiu com orientações técnicas sobre fluxos, responsabilidades das equipes e a importância do correto preenchimento das fichas de notificação. Também participou como palestrante Matheus Martins, advogado integrante da assessoria jurídica do Instituto Gnosis, que abordou os aspectos legais relacionados à violência marcada por racismo, os direitos das vítimas e o papel dos profissionais de saúde na articulação com a rede de proteção e garantia de direitos.
A iniciativa destacou a relevância do fomento a espaços formativos como esse Grupo de Trabalho (GT), especialmente no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS), porta de entrada preferencial do Sistema Único de Saúde (SUS) e local estratégico para a identificação precoce das violências. Ao promover educação permanente, diálogo intersetorial e fortalecimento das redes de cuidado, encontros dessa natureza contribuem diretamente para a consolidação de um Sistema Único de Saúde (SUS) mais equânime, humanizado e comprometido com a justiça social.
No âmbito da saúde pública, o Grupo de Trabalho (GT) reafirmou a importância de reconhecer o racismo como um problema estrutural que impacta o processo saúde-doença, reforçando o papel dos serviços de saúde na promoção da equidade, na defesa dos direitos humanos e na construção de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades e à proteção da população negra.
Saiba mais na unidade de saúde mais próxima.
Fonte:
Sistema de Informações de Agravos de Notificação.




























